Daquilo que fica


Sou feita de madrugadas em claro. É na noite que eu me acho, que eu te encontro. E esses segredos de travesseiro que não me deixam dormir, que não me deixam acordar. Essa lembrança de você é aquela bagagem que não consigo abandonar. Eu não quero e não posso. Deixar essa lembrança ir seria como abrir mão da coisa mais real que já tive nas mãos. Esse amor, tudo o que vivi, eu não quero deixar partir. Eu ainda te espero voltar. É idiota, eu sei. Chega a beirar o ridículo essa insistência do meu coração por você, que eu nunca soube se voltaria. Só sei que ficou em mim. 




Dos desígnios


Eu percebo o cuidado de Deus comigo quando, nas pequenas coisas, vejo claramente a Sua resposta ao meu pedido: - Aumentai a minha fé. Deus é impecável. Isso é óbvio e chega até a ser redundante, mas Deus é perfeito até nos mínimos detalhes, até naquilo que - aos nossos olhos - parece imperfeição. Tenho sido surpreendida com coisas muito melhores do que as que eu havia esperado, planejado ou desejado. Tudo tem um motivo e, sim, há sempre um propósito para tudo debaixo dos céus. Deus é comigo, portanto a vitória é certa. Então vamos sorrir, porque chorar entope o nariz.




Heart over mind


O coração é o centro do meu mundo. É o reservatório de tudo aquilo sou e ofereço. É a minha bússola, o meu prumo, a minha consciência, a minha intuição e inspiração. É o meu canal de contato com Deus. Dele provém a minha poesia, a minha fé, a minha coragem e o meu talento para acreditar nas pessoas e na vida. O coração é o meu guardador de sonhos, de saudades e de amores - inclusive e principalmente o próprio. É ele quem me permite perdoar, entender e confiar que tudo passa, mas o que é de verdade permanece. O coração é o meu reino, terra sagrada onde sou rainha dos meus sentimentos e onde planto o bem, que é para não faltar felicidade.




Sobre escrever


Escrever é salvar-se em si. É libertação. É voar para longe de tudo quando preciso, mas também é permissão voltar para o aconchego da alma quando necessário. É se encontrar, é se perder, é se encontrar na perda se tiver sorte. As palavras são como um sopro de vida, são suspiros calmos e fôlego nos dias de qualquer cor. A poesia é o que de melhor tem em mim e escrever é o melhor jeito que encontrei de me conhecer. Para mim, não escrever é como não viver.
Feliz dia do escritor! 






Não era você, só que ainda é


Como é que você faz isso? Essa coisa de ser inesquecível deveria ser proibida por leiJá faz tanto tempo e você ainda me vem tão fácil no pensamentoAcho que é porque - depois de você - ninguém conseguiu despertar o melhor de mim com a mesma categoria. Já me acordaram um lado, que eu nem sabia que existia e - numa dessas de paixão - descobri que sou capaz de cometer os erros mais estúpidos e alguns até muito bons, mas não era você.  

Entre tantas versões que experimentei de mim mesma, eu percebi que gostava mais de mim quando com você. É que eu podia assumir minhas neuras, deixar meus defeitos à mostra e expor a minha vulnerabilidade sem medo algum de ser julgada. Eu era eu mesma sem pudor, você me entendia sem esforço algum e me amava mais fácil ainda. Não que hoje eu não me seja, mas é que já fui mais descomplicada. Ensinaram-me - de novo - como é que se apaixona e eu até que aprendi bem rápido, mas não era você. (Só que ainda é.)




Dia das Mães


Eu tomo a minha dose diária de amor, quando elevo o meu pensamento a ela. Não há um só dia que eu não me lembre. São tantas lembranças ternas, são tantas coisas boas que ela plantou em mim, que instantaneamente um sorriso me floresce no rosto e na vida. E eu só consigo pensar em como eu gostaria de ser incrível como ela foi.
Minha mãe foi uma dessas pessoas que partiram, mas não foram embora. Ela fez morada no coração da gente. Se eu pudesse reinventar a minha realidade agora, seria feito conto de fadas: - Gênio da lâmpada, dos três desejos que posso pedir, quero da minha mãe um beijo doce, um abraço apertado e um conselho desses que a gente leva pra vida. Embrulha para presente, por favor!



Das coragens


Eu me admiro quando sou corajosa, quando enfrento meus medos, quando fico frente a frente com os meus monstros internos e os venço. Celebro as pequenas vitórias, uma a uma, e vou somando à lista das conquistas, que aos poucos vai crescendo. 
Às vezes, eu acho que me atrapalho mais do que me ajudo, mas me perdoo e sigo com os meus defeitos a tiracolo. Posso ainda não ter chegado onde gostaria, ou onde penso merecer, mas sei que estou na direção certa. É no caminho que a mudança acontece. 




Envelheço na Cidade


Se eu te encontrasse, eu não diria nenhuma dessas coisas que as pessoas dizem em datas como a de hoje. Eu falaria amenidades: sobre o tempo, o endereço e os amigos em comum. Não diria nada que denunciasse o meu desejo de ficar um pouco mais, mas falaria qualquer outra coisa que fizesse com que seus olhos demorassem nos meus. 

Então, eu te lembraria de alguma história nossa, qualquer bobagem quase adolescente que te fizesse rir; e te deixaria saber que eu me lembro de tudo e, mais que isso, sinto falta. Se eu te encontrasse, eu não perderia tempo com formalidades e desejos clichês para o seu ano novo. Se vale de algo, o meu presente seria te deixa saber, que por você eu faria tudo de novo. 











Nota: "Envelheço na Cidade" faz referência à música do grupo Ira!


Será.


Eu queria ouvir a sua versão da história, ver sob o seu ângulo e saber como seria a sua narrativa sobre nós, sobre o que ficou e se ficou. Eu queria me certificar de que tem um dedo meu no que você é hoje; e saber se você tem algum pensamento semanal, casual ou banal dedicado a mim. Tem tanta coisa que eu gostaria de saber e nem sei o porquê.  

Será que você ainda procura saber de mim? Será que me lê, vê minhas fotos, me vê por aí? Será que você sabe que fui viajar nas férias, que tive um romance curto, que vou publicar um livro? Será que você sabe que não trabalho mais no mesmo lugar, que prefiro minha cama a uma balada e que continuo não gostando de beber? Será que sabe que ainda moro no mesmo lugar, que entrei na academia e que comecei a terapia?  

Será que vai ser para sempre assim, eu fingindo que acredito que não sinto?




Das razões do coração


Depois de alguns anos de vida e certa bagagem na minha história, eu aprendi a ouvir aos alertas que vêm de dentro. Percebi que a minha intuição quase nunca se engana e eu, que aprendi a interpretar o que o coração diz, não tenho me deixado iludir tão fácil.  


E ali, logo adiante, sem ter muito o que esperar, as coisas se confirmam e me mostram que estou no caminho certo, que é por aí e me fazem acreditar que as intuições costumam mesmo ter boas intenções. Saber identificar esses avisos tem me poupado tempo, noites mal dormidas e rímel borrado 


Esse tal coração sabe mesmo das coisas e, ainda há quem diga, que a emoção não tem razão. 


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Segredos de Travesseiro © 2012 | Layout por Kakau com Limão | Ilustração por Desi.