Equilíbrio


Tenho andado tranquila, em uma calmaria inexplicável. Eu não sabia que poderia ficar bem sem um bom drama para viver, sem morrer de amor, sem a imprescindível euforia de acontecer. Tenho amanhecido a todo instante e inaugurado sóis no rosto, bem aqui, no meio do riso. Eu tenho estado feliz por nada. Eu tenho sido feliz por tudo. Talvez, apenas, para ver como é ser verbo no particípio. Tenho um punhado de novos sonhos, que é pra temperar a esperança que, desinquieta, me faz ter fé em amanhãs que comprovarão tudo o que eu posso ser e até onde eu posso chegar sendo, simplesmente, eu mesma. Parei de fazer barulho. Estou limpando, aos poucos, a alma e abrindo espaço para eu me encaixar em mim. Tenho me sentido bem na minha própria pele, embora ainda me sobre muitos desajustes.

Tenho andado cheia de fé e cheia de uma alegria gratuita, pura e simples. Eu, simplesmente, me esqueci de temer tristezas. E, veja só, quem diria que o bem viria numa distração, num mero descontrole, num soltar de rédeas. Ai, se eu tivesse percebido desde o começo, que eu precisava apenas deixar fluir. Eu me reinventei e me fui apresentada, novamente. Ouso até dizer que me conheci um pouco mais, embora eu não me elucide. Mas, se alguém aí for capaz se explicar por inteiro, por favor, que se apresente. Ordenar palavras não é tão difícil. O que não é fácil, mesmo, é organizar sentidos, sabe? E que eu não mais me apresse, porque cada coisa tem o seu devido tempo e o seu devido medo, diga-se de passagem. 

 





 








 
"Estou muito feliz. Por nada em especial. Por tudo que é especial. Mas, principalmente, porque sou uma ótima companhia pra mim mesma... Cuido do meu tempo, respeito meus sentimentos, e sei perceber aprendizado em situações aparentemente negativas. Aprendi a ousar e a escolher rotinas novas, ritualizo fins e começos e, sobretudo, amo as pessoas com transparência e verdade. Porque amo como quem não necessita, apenas porque escolhi que fosse assim. E porque sou altamente seduzível!"
Marla de Queiroz





Ao som de: Light My Fire - The Doors


Paz e Bem!

7 comentários:

Rafaelle Melo. disse... Responder

Essa alegria é tão boa, tão leve e tão de verdade!

É bom senti-la sem razão, apenas sentir. E pra quê mais?

Amei o texto, Gabi!
Beijo meu!

Kelly disse... Responder

Chamo isso de maturidade!

Beijos Gaby!

Paulinha Leite disse... Responder

Ola. Teu blog é um encanto! O ar de vintage me deixou apaixonada. E vc escreve maravilhosamente bem!
Estou te levando comigo. E deixo sorrisos. :)

Parabens pelo blog e escrita!

Sol Sobreira disse... Responder

Q lindo, Gabriela. Eu precisava ouvir uma música suave dessas.
Eu preciso aprender a deixar as coisas fluírem e deixar que o tempo faça seu trabalho.
Continue bem!


Meu abraço e obg pela visita. =)

Carol Marques disse... Responder

Oi Gabriela. Seus textos são sempre muito bons de ler.
Beijos!

vanessa cony disse... Responder

Gabriela,quando entendemos o verdadeiro significado do amor ,e entenda,digo aquele que vem do Alto,nosso coração se tranquiliza ,as escamas caem e enxergamos toda a beleza contida na vida.
Beijo no coração.Voltarei mais!

.Intense. disse... Responder

"Feliz por nada


Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.

Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.

Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

Feliz por nada, nada mesmo?

Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. "Faça isso, faça aquilo". A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?

Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando "realizado", também.

Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

Ser feliz por nada talvez seja isso."


Recebi de uma amiga que, busca me ajudar nesse turbilhão de coisas (e emoções fortes até demais) que ando passando. Logo lembrei quando comecei te ler. Estranho que no email não veio a fonte...mas expressa bem o que vc quis dizer, né?

Fico feliz por vc, Gabih. E, com um pouquinho de inveja...quero LOGO chegar lá!

=***

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